domingo, 26 de abril de 2009

Qualificação: uma etapa cumprida

Sexta passada, dia 24 de abril, ocorreu a qualificação de minha tese de doutorado. UFA! O que é uma qualificação? Duas respostas: 1) é um exame, uma avaliação do andamento de seu trabalho, que busca verificar se de fato se tem uma tese (e não uma embromação), o objeto de estudo, se os referenciais teóricos e metodológicos condizem com o objeto estudado, a organização dos capítulos, entre outros aspectos; 2) UFA, existe vida após a qualificação! Pense numa situação em que você fica com o c... chuchu na mão, aguardando e ouvindo pacientemente todas as considerações que a banca (formada por quatro doutores) tem a dizer sobre seu trabalho. Bem, felizmente, a banca foi brilhante, mostrando o compromisso e o engajamento necessário à avaliação de um trabalho desse porte! Além de estar muito cansada ainda, estou muito satisfeita! Apesar do cansaço, me fortaleci na pesquisa em que estou fazendo, não só porque meu texto refletiu também uma boa orientação e teve consistência para o "enfrentamento", mas porque as críticas foram muito saudáveis e construtivas! Apesar de ter cumprido essa etapa - que é um grande passo para a defesa da tese - continuo do mesmo "tamanho", sem apêlos ridículos e medíocres do tipo daqueles que, munidos de vaidade, sobem na tampinha de coca-cola e acham que estão falando do Olimpo! Foi um momento de crescimento como profissional, doutoranda e pessoa. Enfim, sou eu mesma - melhor - mas eu mesma, só bebendo minha coca-zero (pra não engordar), mas sem subir na tampinha!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Peer to peer - copy or not copy: a saga de Wolverine


Ser ou não ser, eis a questão? Enquanto essa tradição da busca do ser (ou do Ser) ainda se mantém, outras são agregadas: como ser se todos copiam? Porque no raciocínio moderno ocidental ser equivale a um indivíduo, à apreenssão de um ser-indivíduo seja por desenvolvimento de predisposições internas seja por determinação do meio, seja por esses dois processos. Hoje esse Ser como uno é amplamente questionado, havendo espaço também para se (re)discutir o ser como autoria e a autoria como sinônimo de eu. Isso não significa a anulação do indivíduo - mesmo por que sem este pragmaticamente o seu outro e seus duplos não podem se justificar - porém, junto à noção do eu, do outro, de todos, de coletivo, encontra-se também a noção e conceito de colaboração, conceito e prática que, inclusive, faz parte de maioria das criações artísiticas de nossa época. Wolverine, por exemplo - ou seria Hugh Jackman? - fez biquinho porque seu novo filme (X-men origins: Wolverine) vazou na internet semana passada. Diversos usuários da web baixaram e postaram o filme em sites e nas redes P2P (tipo as que rodam via Emule, Kazza, por exemplo). A Fox, a quem é atribuída a autoria do filme, acionou o FBI. A estréia do filme aqui no Brasil está marcada para o dia 30 de abril, um dia antes de seu lançamento nos EUA. Mas que privilégio o nosso, não? Tanto dinheiro gasto, tanta luta ensandecida pela proteção dos direitos autorais desse filme e, até agora, não acharam os culpados! Esse "vazamento", de qualquer forma, me pareceu mais um pré-lançamento, uma pré-estréia, com direito até a interatividade com os espectadores que, desta vez, foram chamados sutilmente até a "entrar" literalmente no filme e começar a aventura. Fiquei com a impressão que a aventura de X-men origins começou mesmo antes da distribuição oficial do filme (isto é, nas origens); teve início sim na oficiosa e "emocionante" distribuição peer to peer na net, bem ao estilo web 2.0, onde os espectadores tiveram a chance de opinar sobre a finalilzação do filme. Curiosamente a cópia distribuída pelos internautas vazou incompleta, faltando finalizar alguns efeitos especiais e talvez até outro final, outras cenas que, uma vez ouvidos os que assistiram, se pondere os últimos detalhes! Sinceramente, hoje a relação entre ser e copiar precisa ser revista por nós, consumidores, porque as empresas, me parece, estão bem à frente. Acusam os usuários-consumidores de copiar ilegalmente, ao mesmo tempo estimulam essa cópia via distribuição de programas e sofwares, fomento da web-autoria, propagandas, etc. Penso que a Fox teve uma grande oportunidade de ter (gratuitamente) a participação de um grande número de pessoas no aspecto de opiniar e "finalizar" o filme, porque mesmo quem não o baixou, ouviu falar, leu em blogs, jornais, viu partes do filme divulgados em sites, e contribuiu. Domingo passado fui ao mercado, passei na frente de um local qualquer e vi o tal filme a venda, com capa e tudo! Não estou com isso fazendo apologia ao crime, à pirataria, mas as leis de direitos autorais precisam ser repensadas - como está ocorrendo em nível internacional - porque se de um lado há o autor da obra - que junto com os que produzem, distribuem e cuidam de toda a logística, participando obviamente de sua autoria - há os que do outro lado, consumidores - o lado que classicamente não tinha autoria - produzem opniões, redistribuem, divulgam modificam e, portanto, amplificam de forma assustadora as repercussões que determinada obra pode ter (isto tudo a nossas próprias custas!). Dolly que o diga sobre os direitos aunimais! O caso do Wolverine, por exemplo: criou-se em torno desse filme hipertextos que, articulados ao conteúdo mesmo do filme, não anulou as possibilidades de sua estréia, pra mim as intensificou! Trata-se de um filme consolidado no cinema comercial! Sou muito fã de X-men, com todos os exageros norte-americanos e marketeiros possíveis, a-do-ro! Então, por favor, Wolverine-Jackman, você é lindo, sex, charmoso, assisti o chato do Austrália só pra ver você, mas o biquinho não convenceu! A Fox, bom, sem comentários! Se é para controlar o que os usuários compartilham na web então vamos fazer serviço completo; vamos controlar também o que as empresas fazem com o produto do que compartilhamos - blogs, fotologs, facebook, peer to peer, sites, etc. potencializados ao limite no marketing e na publicidade!!! Do contrário, paremos de falar em web 2.0, web 3.0, porque todo esse sistema se baseia no compartilhamento e na colaboração! Não é justo que os usuários da net paguem a conta e o pato sozinhos!
Créditos da imagem: 1031-Xman mural 2
OBS: das mais de 6 mil imagens sobre X-MEN (só com a licença creative commons) que encontrei no Flickr, escolhi a que figura na postagem

HTTP HTTP HHTTPP !!??#$%¨#@%% ??????

É isso mesmo que está aí no título dessa postagem. Os links que indiquei nesse blog estavam com esse problema - os HTTPs - duplicados. Você clicava e eles não te encaminhava para o destino. Duas pessoas me enviaram um email dizendo. Agradeço muito pelo aviso e pela discrição. Pronto, já estão consertados!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Marley e eu

"Cães não precissam de carros luxuosos, casas grandes ou de roupas chiques. Água e alimento já são o suficiente. Um cachorro não liga se você é rico ou pobre, esperto ou não, Inteligente ou não. Entregue o seu coração e ele dará o dele. De quantas pessoas podemos dizer o mesmo? Quantas pessoas fazem você se sentir raro, puro e especial? Quantas pessoas nos fazem sentir extraordinários?"

São essas as últimas palavras desse filme. Lindo, fofo e irresistível! O filme conta a história de um cão labrador que é adquirido por um casal de jornalistas. O cão estava em liquidação e o casal, querendo um cão na tentativa de "substituir" ou adiar a vinda de um bebê, ganharam um grande problema. Marley aprontava mil e uma travessuras. São momentos de morrer de rir, desde comer as paredes até querer saltar do carro em movimento! Um filme imperdível, engraçado, espirituoso, que mostra de maneira leve os avanços e percalços da vida de um casal. O cão os acompanha, inicia uma família e uma linda história de amor se desenvolve. Entre travessuras, vemos como um cão contribui para não só modificar, mas construir uma família. O casal teve três filhos e Marley os acompanhou durante muito tempo, até sua despedida. Achei lindo ver como um cão torna nossa vida mais bonita e mais doce, como pode ser tão trapalhão e tão amigo e, como o filme mostrou, no seu final (na morte) merece de nós maior consideração, carinho, amor, cuidados! Emocionante! Fiquei pensando nos meus dois cãezinhos aqui de casa - Popó e Apolo. Eles mordem, sujam e baguçam tudo, mas são seres extraordinários pela lealdade, simplicidade e amor com que os faz nos acompanhar e conosco trilhar uma trajetória! A fotinho deles como homenagem:

Adoro esses bonitinhos!!!!

sábado, 4 de abril de 2009

TECNOLOGIA (IN)ÚTIL?


Uma chamada na página da UOL me despertou interesse: imagens sobre inutilidades tecnológicas. Pois é, de vez em quando, a gente, ser humano, parece que exagera, não é!!!?? Em plena (dita) crise, as empresas estão aí lançando equipamentos tecnológicos muito úteis. Esse post é um pouco a continuidade, de certa forma, do anterior, porque vou apresentar aqui, conforme matéria UOL - Tecnologia onde não precisa - alguns dispositivos tecnológicos que foram criados - a partir do argumento da tecnologia - pontencializando o que já eram ou a própria tecnologia... É preciso atentarmos para o uso da tecnologia pela tecnologia. Aí vai (vou apresentar o produto e em seguida minha opinião sobre o mesmo):
  • Uma banheira controlada por SMS ou pela internet para que seu dono, ao chegar em casa, já tenha o banho preparado...
fino, não? Nem precisa dizer que primeiro, se for aqui no Brasil, é preciso ser rico ou "mais ou menos" pra ter uma banheira em casa; segundo, me poupe, é o cúmulo do distúrbio obssessivo-egocêntrico-compulsivo!
  • Uma torneira (que segundo minha filha parece um celular) apresentada pela empresa iHouse, regula a intensidade e a temperatura da água através das expressões faciais de seu dono;
Fiquei pensando: e se o dono simular expressões, como a torneira vai se virar, heim?
  • Um chip que controla a quantidade de água de uma planta e avisa ao dono, através do twitter, quando deve regá-la ;
De fato, se considerarmos que é preciso viver em função do Twiter (uma rede social de relacionamentos estilo big brother que se baseia na exposição do que estamos fazendo a cada momento....), tudo vale a pena se o chip não é "pequena"...
  • Uma caneta paramentada com leitor de cartões, porta USB;
Um negócio de uma utilidade fantástica se consideramos que ao sairmos de Notebook não nos preocupamos muito em levar caneta, quando saímos de caneta (e agendinha tradicional) não nos preocupamos muito em levar notebook. A não ser que acrescentemos mais um item a nossa pesada mochila onde se apertam um notebook (considero inclusive o subnotebook), MPx-número (este último hoje é relativo.... todos os dias os MP são acrescidos de um número diferente), os fios diversos ou as baterinhas gordinhas que duram 6 horas, mouse, câmera fotográficas, pen drives, documentos, carteiras, celulares, smartphones, cartões de memória, etc.
  • Uma vassoura eletrônica com luz ultravioleta que mata germes de vasos sanitários, chuveiros, computadores, pias;
Uma boa maneira de aposentar a flanela com o velho detergente, não é mesmo? Será que também desentope banheiro????? - não que esteja precisando (agora), mas quem sabe... kkkkkkkkkkkkkkkkk
  • Garrafa térmica com tela LCD de uma polegada e meia que exibe um porta retratos digital;
Este artefato queria ter só pra matar minhas amigas de inveja, tá. Já pensou, na hora do café ou do chá da tarde exibir a garrafa térmica com fotos no estúdio de minha família linda, fofa, maquiada e feliz???? Imperdível, inominável, invejável!!!!
  • Uma caixa de lixo que congela o lixo!
é mais chique, elegante e econômico consumir energia refrigerando o lixo do que jogá-lo fora? Isso é coisa de gente inteligente, que pensa e investe... investe, claro, com o bolso alheio!
  • Cigarros eletrônicos, com porta USB, que simulam um cigarro de verdade!
Será que as clínicas de recuperação de dependentes químicos já descobriram?
  • Um despertador que nos acorda sem alardes, com sons zen, de floresta, pássaros, mar, ondas...
Porque nada melhor do que acordar ao som do despertador e depois dormir de novo...
  • geladeiras com acesso a internet;
Vai que as Lojas Americanas ou o Carrefour fazem alguma promoção, a gente sabe na hora em que for beber uma água. Muito útil!

Fontes de pesquisa: UOL

Imagem: blog Biscoito de Silício

Da caneta tinteiro aos Blackberries: o uso da tecnologia móvel na universidade

Créditos da imagem: Aldo

O título desta postagem refere-se a algumas impressões que tenho a respeito do uso das tecnologias móveis no ensino superior; impressões que adquiri tanto como aluna (desde a graduação até agora no doutorado), como professora de ensino superior. Obviamente pela minha idade (faço 32 mês que vem! Dia 28 de maio, pra ser mais precisa e topando entre os presentes até injeção na testa, desde que me faça perder uns 3 kg semanalmente)... sim a idade... quase me perdia... obviamente pela minha idade não cheguei a usar a caneta tinteiro. Lembro-me que havia uma em minha casa quando era criança; meu pai estudava filosofia na Universidade Católica de Pernambuco e deveria achar chique levar essa caneta para a universidade.

Crédito da imagem: Tojosan

Na escola em que estudava, não me lembro de ver as professoras utilizando tal artefato. A questão é que se não me lembro de alguma experiência escolar com essa tecnologia considerada em desuso, acompanhei a franca expansão do uso de celulares quando já era aluna do ensino superior. No primeiro período do curso de Pedagogia da UFPE, tinha uma amiga chiquérrérrima, a Vera, que era a única da sala que tinha celular. Quando aquele "bicho" tocava na bolsa de Verinha era um frissom, ela sacava da bolsa, abria o celular (do tipo tijolão) e dizia Alô! Todo mundo ficava em êxtase, até a professora. Sim, porque naquela época nem a professora podia ter um celular daqueles! Hoje, as aulas, palestras e comunicações orais no meio acadêmico, são regadas a toques em MP3, bips de mensagem, Alôs a torto e a direita, blackbarriers, bluetooth, infravermelho, smartphone e etc. Os comunicadores móveis hoje são acrescentados de múltiplas funcionalidades, desde receber/fazer uma simples ligação telefônica a acessar o email, msn, pagar contas, fazer investimentos, etc. Ouvi dizer que entre as funções futuras estão as de escova de dentes, alicate de unha, porta batom e porta O.B. Legal , um canivete russo de última geração. A questão é como e até que ponto essas tecnologias móveis com múltiplas funcões estão transformando as relações ensino-aprendizagem e permitindo maior contato entre professores e alunos? Segundo a matéria De mochila a laptop publicada na Revista Ensino Superior deste mês, essas tecnologias permitem a criação e estreitamento de vínculos entre professores e alunos. Segundo a matéria,
A chamada geração net e seu talento nato para a tecnologia modificaram de maneira irreversível os padrões de ensino. Computadores portáteis, celulares, telefones inteligentes, como iPhone e Blackberry, e redes de relacionamento disputam espaço cada vez maior com os métodos tradicionais de educação e já são um desafio para as instituições de ensino superior.
Que é uma verdade que a chamada geração net pode modificar os padrões de ensino, isso é. Contudo, não estou convencida de nossa adesão (nós, professores) às TICs nos processos de ensino-aprendizagem. O que vejo - informalmente - é levarmos o cotidiano das TICs, ou seja, nossa vivência com os dispositivos tecnológicos para sala de aula. Eles vão em nossas bolsas, cabeças, modificam nosso comportamento em sala, nossa postura diante do birô onde hoje fica o celular que, além de mostrar a hora, registra as chamadas não atendidas que monitoramos vez ou outra para ver se alguém não ligou nos oferecendo a coordenação de um projeto do governo federal, uma bolsa da UAB. Porque hoje celular e seus derivados é sinônimo de oportunidade, em muitos casos de oportunismo. Quem é o professor que já não atendeu uma ligação de celular com grande afobação, disse que era uma urgência e conseguiu se livrar de alguma pentelhação no trabalho????? Oh! Não perguntando nada demais! É só uma questão do mesmo top daquelas que nos fazem, ao perder o prazo de envio de um artigo ou capítulo de livro pra um congresso ou editora, entregar de K-Ô um cd com o suposto texto gravado, sendo que nada há lá a não ser a intenção de enviá-lo no dia seguinte já pronto!!!??? Divaguei... voltando ao tema, penso que embora utilizemos as tecnologias móveis para nos comunicar com nossos colegas de trabalho e com os alunos, não significa que estão qualitativamente mudando os processos de aprendizagem, mas tão somente potencializando e ampliando o que tradicionalmente já acontece. Por exemplo, como trabalho em geral com os alunos concluintes e coordeno atividades do Trabalho de conclusão de curso desses alunos, quando faltam por volta de duas semanas para depositarem os TCCs é um Deus nos acuda que abate meu celular! Entre mensagems e ligações, acho que só ganham de mim as funerárias e delegacias! Todo mundo quer saber se o trabalho é pro dia x mesmo, se não tem como adiar, como adiantar, se não pode se separar do colega que faz o TCC porque entraram em crise, em fim, uma enxurrada de questões que, embora pedagógicas, são operacionais, não dizem respeito diretamente à dimensão formativa, ao que valorizo como sendo de fato pedagógico, a produção de conhecimento. Aliás, isto, tenho a impressão, nada tem a ver com tecnologias móveis na prática pedagógica, por enquanto. Porém, esse contato constante, quase privado, que o aluno estabelece comigo nos aproxima como pessoas, nos torna quase íntimos, o aluno de certo modo passa a participar da minha vida em outros espaços que não os acadêmicos (e vice-versa) e assim, nos conhecemos um pouco mais! Será que já podemos chamar nossa sociedade de pedagógica pelo fato de os emails, messengers, ligações de celular continuarem a nossas aulas, expandairem as condições de troca e aprendizagem? Não tenho dúvida! Certamente não é agradável receber ligações a toda hora e em pleno domingo. Mas a questão de organizar o uso dessas tecnologias móveis possibilita que o ensino - atividade fadada há tanto tempo à fixidez - se movimente, se desloque e se instabilize, num bom sentido. Interessante é que estamos participando da produção de uma cultura que flexibiliza as condições de ensino-aprendizagem, transportando-as para tempos e espaços diversos . Com o uso das tecnologias móveis sendo utilizadas por exemplo para acesso aos ambientes virtuais de aprendizagem, a articulação entre educação presencial e a distância, tudo isso permite o desenvolvimento e inauguração de tendências e metodologias cada vez mais impulsionadoras da produção do conhecimento na perspectiva da colaboração. É preciso que além de os professores usarem os celulares para comunicar também conversem em sala de aula com os alunos sobre seu uso, softwares que podem auxiliar na aprendizagem, além da apropriação colaborada das múltiplas linguagens que se articulam nas tecnologias móveis. É o conhecimento dessas linguagens que vai permitir articulação com a linguagem pedagógica. Segundo a Revista ensino superior,
"Embora muitos professores avaliem as redes como uma distração nas salas de aula, seu uso tem impacto no ensino e na aprendizagem. Os estudantes acessam as páginas para montar seus grupos de estudo, conversar sobre trabalhos e trocar informações com seus colegas de classe".
Essa reportagem fala do uso de tecnologias móveis nas universidades norte americanas. Apesar de ser outro o contexto, as questões que coloca são importantíssimas para pensarmos o uso (e o abuso!) das TICs nas instituições educativas.
Revista Ensino Superior (edição online): http://revistaensinosuperior.uol.com.br/

segunda-feira, 30 de março de 2009

Brasil: sobre bananas, pizzas e cotas para passagens aéreas


Hoje, ao assistir o Jornal da noite de uma emissora, uma notícia me chamou atenção: a concessão de cotas para passagens aéreas a congressistas, que podem chegar até os 30 mil reais por mês. 30 mil? Isso mesmo!!! Os bilhetes aéreos chegam, a depender do deputado ou senador, a até 1 bilhete áereo por dia com destino Brasília - estado de origem (vice-versa). Segundo a Folha de são Paulo de hoje o valor varia de R$ 4.700,00 a até R$ 33.000,00. Diante de tal contexto até pensei em mudar de profissão, já que nem vale-transporte recebo de meu trabalho (por opção, claro) porque o desconto sai maior do que o benefício (moro perto da Universidade).
Mas, essa notícia chamou-me atenção não por questão própria, mas por situação atualmente ocorrida com meu marido. Como vocês sabem - e, para quem não sabe, fica agora atualizado - eu trabalho aqui na Paraíba e meu marido trabalha em Recife-PE. Ele é funcionário público, militar da Força Aérea Brasileira (FAB), lotado no Cindacta III - quartel que fica ao lado do aeroporto de Recife. Exatamente por essa condição, a de morar a 110 Km do local do trabalho, Tibério, meu marido, recebe, como trabalhador e sujeito de direitos, vale transporte. Esse vale custa um valor correspondente às passagens de ônibus das empresas que fazem o percurso Recife-João Pessoa mais os ônibus que ele pega até a rodoviária (infelizmente, não posso revelar o valor aqui senão é capaz de arrancarem meus dedos pra não mais digitar e externar as contas públicas de organização tão ética, tradicional e competente que são as forças armadas! Contudo, afirmo que não chega a um terço do menor valor acima citado!). Mas bem, a questão é a seguinte: enquanto o pessoal lá de Brasília recebe em torno de 30 mil reais pra viajar pra casa sabe-se lá de quem (porque detalhe: a lei do vale transporte não explicita a forma de controle do uso do dinheiro/passagens), meu marido recebe uma mixaria por esse vale-transporte - que está discriminado como tal em seu contra cheque - e vem passando no trabalho por forte pressão com TALVEZ a finalidade de fazê-lo abrir mão de um DIREITO (isso é minha opinião, se a aeronáutica quiser, que me processe! E, além disso, abra jurisprudência no sentido de propor mecanismos de controle institucional sobre o vale-transporte de TODOS os que lá trabalham - o que, aliás, pode se aplicar a todos os trabalhadores, não é mesmo?). Recentemente passei situação vexatória por causa desse fato em minha casa: chegaram de carro oficial quatro militares indagando a mim e aos vizinhos se conheciam Tibério e se eu era eu, se eu era de fato esposa de meu marido (por que sei lá, vai ver eu não sou eu, !). A rua encheu de gente pra ver o que danado era aquilo; tiraram fotos da minha casa, tiraram até minha foto, e detalhe, com o bibico (aquele chapéu que os militares usam) na mão pra mostrar que aqui mora um militar. Situação, pra mim, totalmente vexatória e constrangedora! (nem vou falar aqui de meus direitos constitucionais!) Gostaria de saber se esse procedimento é também realizado com as esposas/ família dos senadores e deputados que usufruem de passagens aéreas para seus estados de origem que, ao meu entender, embora não estejam tipificadas como "vale-transporte" e não aparecerem nas despesas divulgadas na net nas prestações de conta, são sim vale-transporte!???? Fico pensando, indignada, enquanto Tibério se mata fazendo o trajeto Recife-João Pessoa todos os dias e vice-versa a fim de manter sua família minimamente em ordem, com uma miaria de dinheiro que não paga nem o stress e os perigos da estrada ,ainda precisa passar por constrangimentos e desconfiança no trabalho sobre o uso que faz do miserável vale-transporte que recebe! Me poupe, se toca, ! Da próxima visita, quem vai tirar foto sou eu e vou dar queixa de todo mundo, até do bibico, da pizza, da banana e das passagens! Quem já se viu direito do trabalhador ser negado por capricho institucional? Enquanto tá aí a patifaria ocorrendo na cara da gente! Então vamos, como sociedade civil, pressionar para a criação e regulamentação do controle do uso do dinheiro destinado aos vale-transportes, ajudas de custo, diárias, etc.!!!!! Será que as concessões de até 30 mirréis por mês vão continuar? Será que vão regulamentar o controle? Pergunta besta, nééé!!!!!
Fontes:
Folha de São Paulo (edição on line): http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc3003200902.htm
Créditos da autoria da foto: Rodrigo Soldon, licenciado por Creative Commons - disponível em: http://www.flickr.com/photos/soldon/3057389716/